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Primavera Cervejeira e a Flor de Lúpulo

Chegou a primavera!!!

E como diz na canção de Beto Guedes: “Sol de primavera, abre as janelas do meu Peito.” E nesse momento, além do inverno que acaba de partir, deixemos os raios de Sol dessa maravilhosa estação brotar as flores dos nossos corações. E falando em flor, tem uma em especial que eu gosto demais e pode ser a tendência dessa primavera. O lúpulo!

Sim, o lúpulo é uma flor e é bem especial. Ela está presente em uma bebida que é paixão nacional e existe uma legião de fãs extremamente apaixonada por essa linda flor. Se você imaginou a cerveja, acertou! É isso mesmo, na cerveja que você está bebendo ou mesmo aquela que está pensando em levar para um piquenique e aproveitar a primavera. Essa é, para mim, a melhor estação!

No Brasil, pelo clima tropical, podemos aproveitar os parques para curtir um bom piquenique praticamente o ano todo. Mas a brisa que chega com a primavera nos seduz para aproveitarmos mais com a natureza e um piquenique se torna um momento incrível com os familiares e amigos.  Sabe aquela Hoegaarden que você coloca na cesta para aproveitar esse momento?! Então, ela também tem lúpulo.

Praticamente todas as cervejas utilizam o lúpulo como tempero, algumas mais e outras menos. O seu uso, em quantidade e tipo, dependerá do estilo de cerveja e da criatividade que o(a) Mestre(a) Cervejeiro(a) estiver disposto a elaborar. Vamos entender um pouco mais o que é o lúpulo e as suas principais características na cerveja?

O Lúpulo é uma trepadeira perene e pode chegar a 6 metros de altura ou mais. Ele cresce subindo por fios presos a estacas ou treliças. Para a produção de cerveja somente a planta fêmea é cultivada, produzindo pequenos cones verdes chamados de lúpulo. Dentro desse cone existem glândulas que produzem um pó resinoso de cor amarela, conhecido como lupulina. É na lupulina que está o amargor e os incríveis aromas.

Desde a invenção ou descoberta da cerveja, há mais ou menos 11.000 anos, o lúpulo é o ingrediente básico mais novo. Seu primeiro registro foi pela monga Hildegard von Bingen (1098 – 1179) no livro Physica: Liber subtilitatum diversarum naturarum creaturarum, que influenciou a botânica europeia até meados do séc. XVI. Até a descoberta desse ingrediente na cerveja, utilizava-se uma mistura de ervas e condimentos chamado Gruit para temperar a cerveja e torná-la mais palatável. Com o uso do lúpulo as ervas deixaram de ser necessárias para as receitas, já que o novo ingrediente era completo para temperar e conservar a cerveja.

O amargor do lúpulo contribui para equilibrar a doçura do malte, sem ele a cerveja seria uma bebida bem doce e desequilibrada, possivelmente algo menos prazeroso. As cervejas do estilo Witbier não apresentam um amargor pronunciado, mas o lúpulo está presente contribuindo no acabamento da cerveja. Já as cervejas IPA apresentam todo o poder que o lúpulo tem, com um amargor presente, mas sem ser enjoativo. Aqui vale lembrar que precisamos acostumar nosso paladar para cervejas mais amargas e uma boa opção é identificar o nível de amargor pelo IBU (International Bitterness Units) quanto mais elevado o valor, mais intenso o amargor. Com isso, você pode fazer sua escalada para cervejas mais amargas.

Além do amargor, o lúpulo pode trazer características aromáticas podendo explorar todo o repertório da nossa memória gustativa. Você sabia que podemos identificar mais de 10.000 aromas? Com isso, as possibilidades que o lúpulo pode trazer são enormes, ajudando a explorar também as nossas capacidades olfativas. O lúpulo pode trazer notas herbais; frutadas como manga, maracujá, limão; floral; tabaco; chá verde e preto, entre vários outros.

Uma das coisas mais legais na criação das diferentes cervejas é que os(as) Mestres(as) Cervejeiros(as) gostam de explicar sobre sua receita e seu estilo. Então que tal nessa mudança de estação escolher uma cerveja bem aromática para aproveitar a primavera?

Essa é de fato uma estação que gosto demais…

“Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez”

(Beto Guedes e Ronaldo Bastos, Sol de primavera – 1978)